Sobre a privação de autonomia
A imagem faz parte de uma série elaborada durante 2020 chamada -em quarentena- do artista Pedro Carneiro.
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Passei um tempo sem aparecer por aqui. Com tudo que está acontecendo no mundo, mais especificamente no Brasil neste momento, esperei ter de fato um entendimento sobre todas as coisas ocorridas para não parecer leviano o que eu trago aqui para construirmos pensamentos. Hoje consegui parar e fazer um paralelo que faça sentido nesta época e que se insira no tema que reforço que é o sobre pessoas com deficiência.
A quarentena e seu confinamento nos trazem em voga muitas questões que podem ser cotidianas a uma pessoa com deficiência e o mundo inteiro experimenta nesta fase: a privação de autonomia e a dependência afetiva. Quantas vezes nesta quarentena você teve vontade de sair e não pôde? Quantas vezes nesta quarentena você precisou do auxílio afetivo das pessoas que estão mais próximas para se reestabelecer? O medo de adoecer que permanece no imaginário coletivo também é uma questão que atormenta a cabeça das pessoas por elas e pelas pessoas que amam. O receio de não haver tratamento e de não saber se haverá para todos também habita nossa mente em uma sociedade que não dá oportunidade com equidade a população.
        Todos estes fatores passam quase que diariamente na cabeça de pessoas que têm deficiência e seus familiares próximos. O cansaço e o desânimo fazem parte do dia a dia por não saber onde mirar e o que esperar de melhor que aconteça.
Você pensou como as pessoas com deficiência tem vivido nestes tempos? Quantas tiveram seus serviços de saúde essenciais cortados ou diminuídos para focar o atendimento na pandemia?
Isso porque no Brasil nós temos pelo SUS o melhor serviço de saúde gratuito, integral e universal do mundo, que vem sendo sucateado cada vez mais para privatizar o que resta. Plano de saúde não é nada mais que a privatização da melhor parte do serviço público que nós ainda temos e que lutamos por ele, a cada dia mais. Parece que eu perdi o foco do assunto mas não perdi. Tudo faz parte de um mesmo projeto de necropolítica para extermínio do povo, que se inicia nas minorias, que possuem menos direitos e quase nenhuma visibilidade.
Enquanto damos atenção para as fake News, o desmonte que o Estado tem feito segue adiante e se comprova por números de óbitos de escala continental. Precisamos nos manter vivos e cuidar da saúde pois a saúde é política. O corpo é político e toda vida é importante.
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Ana Carolina Senos - Pessoa com deficiênciaAna Carolina Sênos é Mestranda em Direitos Humanos e Política Públicas pela UFRJ, Graduada em Artes Visuais pela UERJ, militante feminista, bissexual, não monogâmica e pessoa com deficiência que faz do cotidiano na escola pública que leciona artes um ato político diário.

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