PEITA
Foto: Patrícia Carvalho.
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Camila fala sobre invisibilidade na universidade, defesa do território e cultura indígena.

PEITA lança o segundo vídeo da série “Histórias de mulheres invisíveis aos olhos coloniais”. Dessa vez quem compartilha suas lutas e inquietações é a acadêmica de Ciências Sociais da UFPR, Camila dos Santos, da etnia kaingang, moradora da aldeia Kakané Porã, na periferia de Curitiba. Sua comunidade está correndo o risco de perder o direito a merenda das crianças se não finalizar a construção do refeitório infantil.

“É muita pregação de direitos e pouca empatia. Quem não pratica empatia, não sabe o que é luta coletiva. Nunca vai saber.”, exalta Camila quando fala da importância das indígenas ocuparem espaços dentro das universidades e de serem percebidas pelas pessoas que estudam a cultura dos povos originários. “Você tem que chegar pra um antropólogo e explicar que há cinco mil anos o Kaingang já andava aqui. Há 3 mil anos, o Guarani já andava aqui e que a universidade foi construída num espaço que é meu e que eu só tô ocupando um espaço que é meu. E que eu só tenho 10 vagas pra ocupar. É muito pouco”.

PEITA
Foto: Bruna Kamaroski

A questão territorial é muito presente no depoimento da universitária. Também pudera, saber que seu povo foi exterminado com a invasão europeia há 519 anos e continuar sendo oprimida e ignorada pelo Estado, é revoltante. “O branco entra numa terra e ele tira tudo, o indígena não, ele só quer poder sobreviver. A gente não tá contra o progresso, eu acho que a preservação é o progresso. Tá na cara e todo mundo sabe disso”, explica.

A defesa dos direitos das indígenas é urgente. “Eu tenho pressa, sabe?! Não dá mais pra esperar. Tem que acontecer uma reforma dentro da cidade, dentro da universidade. Não dá mais pra gente dizer que não existe indígena. Hoje a gente pega ônibus com indígena, a gente passa na XV tem indígena, a gente tá na universidade tem indígena, hoje você tem médicos indígenas, você tem advogados indígenas, profissionais aí em várias áreas indígenas. Não dá mais pra gente fechar os olhos e dizer ‘eu não conheço”, finaliza.

Segundo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), há cerca de 900 mil indígenas no Brasil, que se dividem entre 305 etnias e falam ao menos 274 línguas. Os dados fazem do Brasil um dos países com maior diversidade sociocultural do planeta.

( • ) TYÃG FI VÃSÃN RIKE HAN

Veja aqui tambem: https://youtu.be/1JUTCYToPak

( • ) PEITA VERSÃO KAINGANG E GUARANI

A forma que a PEITA encontrou de apoiar foi dar voz e visibilidade à história da Camila e da professora de kaingang e guarani da aldeia Kakané Porã, Rosane Salete Rodrigues (que também nos ajudou na tradução da frase) e lançar a “Lute como uma garota.” na versão kaingang, com parte do lucro revertido para a estruturação do espaço que também será um local de integração e trocas da comunidade.

A marca-protesto é antimachista, antirracista, antiLGBTfóbico e anticolonialista, posicionamento visível em suas ações e parcerias. “Quando a gente muda a nossa percepção de ‘descobrimento’ do Brasil para invasão, não tem como continuar achando que não fazemos parte dessa história. Não tem como deixar os povos indígenas nas ilustraçõesdos livros de escola. Ao mudar nossa visão de mundo dessa forma, é inaceitável não valorizar e visibilizar nossos povos originários. Ajudar na construção do refeitório da Kakané Porã é mostrar que nos importamos e, dentro do que está ao nosso alcance nesse momento, é o mínimo que podemos fazer para devolver o que lhes foi roubado.”

Também foi lançada a peita no idioma guarani, que ajudará a viabilizar o Movimento Jera Reta, organizado pela Eliane e Jéssica Gabriel de Castro, da Aldeia Kuaray Haxa (Guaraqueçaba).

PEITA
Foto: Bruna Kamaroski

( • ) SÉRIE MULHERES INVISÍVEIS AOS OLHOS COLONIAIS

Ao todo, a PEITA irá divulgar seis minidocs no decorrer de 2019 e começo de 2020. O primeiro deles, divulgado no dia 15 de outubro, traz a fala da cacique Juliana Kerexu Mirim Mariano, da aldeia Tekoa Takuaty, em Paranaguá, e está disponível nas redes sociais da marca-protesto.

O projeto conta com o apoio do Projeto Origem, composto por fotógrafas e fotógrafos que
buscam mostrar ao mundo as comunidades indígenas do Sul do Brasil, e da produtora Toro
Áudio.

Ficha técnica
Direção: Karina Gallon
Produção: Luana Angreves
Co-produção: Nathalia Sibuya
Cinegrafista: Patricia Carvalho e Luana Angreves.
Edição: Sofia Suplicy
Trilha: Grupo Kanhgág Ojik Nen Ga – Apucaraninha/PR.
Áudio: Toro Áudio
Apoio: Projeto Origem
Fotos: Bruna Kamaroski e Patrícia Carvalho.
( • )
peita.me
@putapeita
/putapeita

 

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Via:Assessoria de imprensa PEITA

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