O corre nosso de cada dia
Crédito: Divulgação
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Dezembro chegou mais uma vez e é sempre, sempre, sempre aquele “corre”. Segundo o dicionário informal, o “corre” é a expressão utilizada para a correria do dia a dia, para a resolução de problemas, pendencias e burocracias.

É aquela velha história, quando encontramos alguém e somos questionados de como vai a vida, a resposta é quase unânime: “Na correria”, “No corre corre”, “trabalhando muito”…

E é preciso questionar até quando o famoso “corre” não tampa os nossos olhos para o que realmente vale à pena.

Se parar para analisar, okay, dezembro tem as correrias de fim de ano, vem natal, réveillon, tem que pensar na ceia, nos presentes, amigo secreto, colocar a casa em dia, fazer eventuais reformas, ir às comprar e se estressar em lugares abarrotados de gente porque afinal você se sente pressionado pela grande engrenagem que gira o mercado e espreme o seu 13º (caso tenha) para ser a pessoa legal que dá os melhores presentes e oferece as melhores festas.

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Passou dezembro, entra o novo ano, o novo ciclo que você promete que vai enfim fazer diferente, vai se planejar, vai se cuidar, vai organizar a vida, dar mais atenção para quem merece… e janeiro vem lhe trazendo as parcelas do presente de amigo secreto que talvez tenha dado para alguém que nem faz parte do seleto grupo de pessoas que você confia. Então vem o IPVA, IPTU, vem colégio das crianças para fazer matrícula, uniforme, material escolar e por aí vai.

Depois vem o carnaval e você quer sair, ir para as festas, curtir alguma balada que traga algo de diferente, gasta o que tem e o que não tem para produzir uma bela fantasia e se divertir como se não houvesse amanhã. Só que sempre há.

Corre

Meio do ano chega, férias das crianças, corre pro parque, pro shopping, pro clube, corre para todo lado e no fundo só quer ficar um pouco em paz. Quando percebe, já chegou o Halloween, mais fantasias, festas, corres… E não demora, dezembro chega outra vez. Isso que nem adianta aqui exemplificar o corre comum do dia, acorda, arruma, come, trabalha, come, trabalha, arruma, trabalha, se decepciona, chora, sorri, se desespera, sorri de novo, corre, corre, corre…

Mas um dia os filhos (se é que se teve) crescem, já dá para curtir a vida, os netos, os amigos… andar com aplicativo de transporte nem é mais tão difícil, dá para comprar o que quiser pela internet e não precisa mais enfrentar tanta fila, tanta gente.. Dá para economizar bastante procurando tudo no google… Nem o filme que você quer ver precisa ser rebobinado e devolvido para a locadora. A tecnologia poupou tantos “corres” e mais que nunca parecemos ausentes, como se a vida fosse uma grande pista de corrida em que ocasionalmente esbarra com gente que você gosta e pergunta: “Como anda a vida?” e como resposta escuta: “Sempre no corre”.

Mas o pior “corre” de se fazer é o da morte, primeiro a papelada, burocracia, assinaturas e só quem já teve que fazer sabe o peso disso. E depois vem o peso emocional, de pensar quantas vezes você não ligou porque estava muito corrido, você não foi porque era impossível, você não falou porque achou que seria melhor um outro dia, com mais calma, sem correria…

Esse texto é uma reflexão sobre essa falta de preocupação com o mundo real, com os sentimentos alheios e principalmente com o presente. Faça o corre de ir na casa da sua avó ouvir como você deveria engordar ou não, o corre de fazer um bolo com o seu pai, de ficar ouvindo música com seu irmão, o corre de passar no parque com os sobrinhos, mostrar o mundo, aprender o que eles pensam… Faça o corre de um trabalho voluntário em um asilo, um orfanato, um hospital, qualquer coisa em que se doe de verdade. Faça o corre de ligar agora mesmo para aquela pessoa que de alguma forma te marcou, te ajudou, te socorreu… Saia um pouco dessa tela aqui e encontre o brilho dos olhares reais. Se preocupe mais em ESTAR presente mesmo que esteja longe, em ser presente e ser UM presente para alguém. Às vezes uma mensagem escrita em 5 segundos pode salvar um dia inteiro!

Corra pra vida de braços abertos e deixe pra trás velhas mágoas e dores, corra pra positividade, para a plenitude.

Chegou dezembro e corre, corre que ainda dá tempo de escolher melhor “os corres” para fazer essa vida valer a pena.

 

 

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Amanda Lyra - Crédito_Nick SourientAmanda Lyra – Cantora, compositora, produtora e apresentadora, cadeirante e idealizadora do Projeto Solyra. Diretora e Editora chefe do Expresso Livre e Portal VRNews!

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