Forever 18
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Forever 18

A primeira vez que o meu corpo mudou bruscamente foi quando me tornei mãe. Mas antes da maternidade eu já colecionava complexos e obviamente já me comparava com outras meninas.. Na minha cabeça, eu não era como eu deveria ser. Eu não era como a revista ou a TV disseram que eu deveria ser. Eu não era como o menino que eu gostava achava que eu deveria ser. Um lado de mim (talvez o lado sensato), não dava muita bola pra isso, mas por outro lado, eu queria ser aceita, ser pertencente, eu queria ser notada! Até que um dia, alguém que eu amei, me amou de volta exatamente como eu era e por quem eu era e então fui feliz. Esqueci todos os complexos e minhocas que pairavam na minha mente.

Corta.

 

Lá estava eu, perto de fazer 30 anos, sozinha, porém mais segura de mim, mas de novo comecei a perceber que estar nos padrões de beleza ainda era algo tão vital no meu currículo de mulher como nos tempos da escola, e dessa vez eu resolvi fazer algo a respeito. Eu cedi. Aprendi a me maquiar, a me vestir bem, a ser o que os homens esperavam de mim e ao que a sociedade esperava de mim. Não, eu não virei nenhuma modelo de passarela nem nada, mas desabrochei. Me fiz notar, entrei nos malditos padrões, virei presa fácil na rua, aprendi a fazer selfies perfeitas, me envaideci, me enchi de um monte de nada. Tive dois casamentos frustrados comprando a ideia de ter uma família de comercial de margarina, casamento sem amor, sem afinidades reais, me perdi, sofri, fiz pessoas sofrerem. Pra dar conta de tanta coisa desmoronando na vida pessoal, mergulhei no trabalho (foi o lado bom), tentava preencher aquele buraco de alguma forma. Viagens. Shopping. Sexo. Álcool. Informações irrelevantes. Pessoas irrelevantes. Quase 30 animais de estimação no mesmo apartamento e por aí vai.


Corta.


Hoje reavalio o que quero profissionalmente, experimento outras atividades, estou mais seletiva com pessoas, mais responsável, escolhendo bem como vou gastar meu tempo, meu dinheiro e cada dia mais consciente. Estou num casamento pelos motivos certos: por amor. Busco o auto-conhecimento, espiritualidade, responsabilidade social, conexão com as maravilhas escondidas nos detalhes do dia a dia etc. Mas ainda existe uma coisa em comum com a Chrisce da adolescência e com a Chrisce mulher, e essa coisa chama-se INSEGURANÇA. Hoje estou perto dos 40. Tudo na minha vida mudou, inclusive a minha opção sexual, mas ainda me sinto na obrigação de TER QUE SER bela e jovem para sempre. Olho no espelho e vejo as pequenas mudanças, aquelas que só se vê sem filtro, sem maquiagem, sem “preset“. Não gosto do que vejo. Me apavoro. Começo mais uma vez a não gostar de mim, mesmo eu tendo qualidades muito mais honestas e cativantes.


Por que isso acontece com a maioria das mulheres? O que estão fazendo com a gente? Por que permitimos? Eu sei que não estou sozinha nessa.Tiraram minha alegria e a minha satisfação plena de me amar aos 20, aos 30 e daqui há 1 ano aos 40. Forever 18 ou “Forever 21” é simplesmente insano, deprimente e adoece mulheres em todo mundo. Chega.


“Seja resoluto em não servir e você será livre” Etienne.

 

A Coluna Fantástica é escrita por Chrisce de Almeida: Carioca, fotógrafa, profissional de marketing e escritora.
Publicou seu livro “Raiva Passageira” em 2011 que teve em 2015 a segunda edição digital pela Amazon. Em breve lançará seu segundo livro “Fantástica Peregrina”.
Defensora dos Direitos Humanos e feminista, nossa poetiza de olhos de oceano é intensa, é frágil, é forte! E isso fica muito evidente em seus textos e poesia.
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