Chrisce
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Eu me chamo Chrisce.

Quando eu me relacionava com homens, acontecia algo desconfortável, porém socialmente aceito, que é ser invisibilizada. E era uma sensação bem ruim quando eu tomava consciência do fato em tempo real, mas aí eu pensava “okay, é assim que é”.
Na época eu sabia muito pouco sobre empoderamento feminino e todo esse universo. O que eu não poderia imaginar, era que depois de me casar com uma mulher isso continuaria acontecendo. O que me leva a pensar que entre nós duas, ela é a que performa um comportamento masculino, e talvez por isso, esse padrão seja reproduzido. O que é ainda mais grave é pensar que mesmo se eu não fosse casada com ninguém, eu continuaria (e continuo) sofrendo esses episódios de “mulher invisível”.
Mas se você é mulher e está longe de ser uma privilegiada porque não nasceu com o combo homem-branco-hétero-classe média, ainda há salvação! Só que a nossa subida é pela escada. Para algumas que são minoria dentro da minoria, pela escada de serviço! O homem já tá lá na frente pegando o elevador, o menos sortudo uma escada rolante, talvez…

Coluna Fantástica

E tem gente que vem me falar de meritocracia. Por favor, aqui não! O caminho mais curto pra uma mulher ter respeito, além de um marido, é ter dinheiro ou fama, se tiver os três, bingo! Às vezes você nem precisa ter de verdade, só parecer que tem. Parecer que tem dinheiro, parecer que tem fama, parecer que tem um casamento feliz. E assim seguimos sendo respeitadas pelo que temos e não pelo que somos naquele velho escambo social de “O que você tem aí pra me oferecer?”.
As pessoas vão escolher como irão te tratar. Eu, aqui do meu mundinho, acho isso tudo tão cafona, primitivo e só observo os que levantam a bandeira a favor do “novo mundo” e caem no velho engodo sem se dar conta.
Da porta da nossa casa pra fora, meninas (e muitas vezes da porta pra dentro também) o mundo é agressivo, mas frequentemente se apresenta num embrulho bonito, onde o “tamo junto” significa juntos até onde é conveniente, claro! Sorte de quem encontra suas válvulas de escape. Fundamentais para não pirar!
Quando alguém me olha para além da superfície, pode se surpreender. Mas quem olha pra quem de verdade hoje em dia? Mais fácil passar o Raio-X da mediocridade e em poucos segundos classificar e rotular pessoas como se fossem produtos. Nem consigo imaginar do que me rotulam, mas posso perceber o julgamento silencioso. No universo de “achismos” que nos assombra, muita gafe é cometida. Meu nome é Chrisce, sou muitas, sou várias, sou todas. Aqui o papo é reto! 2020 tá batendo na porta!
Torço pra que a gente evolua pra além do discurso verbal e possamos pôr em prática coisas que farão a nossa sociedade ser um lugar melhor.
Nos vemos de novo em breve. Um beijo de quem exite a 38 anos, e existe até o talo, transbordando. Invisível de novo? Nunca mais.
***

Chrisce Almeida / Coluna Fantástica

A Coluna Fantástica é escrita por Chrisce de Almeida: Carioca, fotógrafa, profissional de marketing e escritora.
Publicou seu livro “Raiva Passageira” em 2011 que teve em 2015 a segunda edição digital pela Amazon. Em breve lançará seu segundo livro “Fantástica Peregrina”.
Defensora dos Direitos Humanos e feminista, nossa poetiza de olhos de oceano é intensa, é frágil, é forte! E isso fica muito evidente em seus textos e poesia.
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