Epidemia - Por Ivanio Lira
Crédito: Divulgação/blog vida de criança
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Primeira semana depois de ter sido divulgada a seriedade da epidemia na cidade.
É estranho sentir falta do trânsito complicado que sempre precedia os finais de semana, poucas pessoas nas ruas. E nos mercados, carrinhos lotados de pacotes de arroz, litros de leite longa vida, alimentos básicos e papel higiênico ao invés das carnes, cervejas e supérfluos para curtir o fim de semana.

É ! Toda fragilidade já bem conhecida do corpo humano, começa a se mostrar, senão idêntica até pior, na organização econômica da sociedade. Todas as pessoas e empresas ligadas direta ou indiretamente ao ramo do entretenimento e boa parte da gastronomia, estão sem trabalho, sem ganho.
Outras, que trabalham nas poucas áreas do comércio que continua vendendo, por mais que tenham medo do contágio, não param. Como parar ? Tem que ganhar, tem aluguel, prestação, água e luz pra pagar, tem que se alimentar, tem filho pra criar ! E agora que as creches e escolas vão fechar ? Quem vai cuidar ? Com quem vou deixar? Com os avós que são do grupo de risco, os que mais devem se isolar ?

É meu amigo, tudo é muito frágil, somos todos frágeis, simplesmente sucetíveis a doenças, intempéries e as próprias falhas humanas. Também a falhas mecânicas, ao avião que cai, a carreta que não para e mesmo estando em casa, basta não perceber um simples vazamento de gás e Bummm ! Tudo pode ir pelos ares. Como foram agora nossos sonhos e expectativas para curto prazo, para esse ano. As autoridades já começam a falar em um certo colapso do sistema de saúde para final de abril, contágio crescente até fim de junho, começando estabilizar e decair a partir de julho. Provavelmente voltaremos começar a ter alguma tranquilidade lá por setembro, outubro .
Estamos sentindo os efeitos apenas do começo de uma grande crise. Com medo do que está por vir e a certeza de que não adoecer é o primeiro objetivo.
É bem diferente de quando, por volta dos oito anos, tive sarampo e fiquei mais de um mês isolado em um quarto com pouca luz. Apesar de criança eu sabia que quando minha mãe me tirasse dali, tudo estaria do mesmo jeito me esperando lá fora.
Desta vez lá fora tá doente e as crianças não podem sair para brincar. É como se o mundo tivesse pegado sarampo e nem é sarampo, essa coisa ainda não tem vacina nem remédio e é bem contagiosa.

É incrível pensar que há um ano estava tocando na praia. Foram vinte e dois, trabalhando três dias por semana e o mais só descanso e curtição. Se alguém me dissesse que agora, estaria acontecendo algo assim, não só comigo, mas com uma boa parte das pessoas do planeta, iria perguntar se sobrou uma ponta. Como poderia acontecer algo assim em pleno 2020, com a tecnologia caminhando a passos largos, num mundo globalizado ? Verdade é que fomos traídos pelo próprio sucesso da globalização e dos nossos meios de transporte. Em pouquíssimo tempo a pereba de alguém, lá do outro lado do planeta, se espalhou pelo mundo.

Hoje quarta 25, o que não faz muita diferença porque estamos vivendo algo um tanto parecido com a música O Dia em que a Terra Parou, que Raul Seixas cantava nos anos 70 e até hoje repercute no repertório dos músicos brasileiros, nesse momento praticamente desempregados, aparece uma boa notícia de fonte segura:

“- Médicos na Índia tiveram sucesso no tratamento de coronavírus. Combinação de medicamentos utilizados: Lopinavir, Retonovir, Oseltamivir juntamente com Clorfenamina. Eles vão sugerir o mesmo medicamento globalmente.
– Pesquisadores do Centro Médico Erasmus afirmam ter encontrado um anticorpo contra o coronavírus.”

Vamos assim seguindo em quarentena, torcendo para que encontrem logo um bom tratamento e principalmente uma vacina para que as crianças possam voltar a brincar lá fora e todos retomem com saúde suas vidas.
A humanidade levou uma grande porrada no estômago, vai levar levar um tempo para se recuperar, mas não cairá. Acredito que depois de um bom tempo, depois que tudo já tiver passado, mesmo assim as coisas ainda não serão as mesmas. Na verdade espero que realmente não sejam. Que todos tenham evoluído, absorvido algo de muito positivo com toda essa experiência bizarra e até agora inédita, pelo menos para nós brasileiros.
Há muito fomos infectado pela empáfia de sermos humanos, o animal mais bem sucedido na linha evolutiva e no topo da cadeia alimentar. Precisamos nos curar disso !
Não somos deuses, somos terráqueos, filhos da terra, mortais e em vários sentidos frágeis .

A propósito, alguém sabe me informar onde posso encontrar álcool em gel?

 

Ivanio LiraIvanio Lira é músico, compositor, multi-instrumentista, produtor e poeta. Considerado um dinossauro do rock curitibano, faz reflexões musicais e poéticas, pensando sempre fora da caixa. Segundo ele: “Afinal, quem é normal?”

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