entre idas e vindas, umareflexão
Foto: DIvulgação
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Numa viagem longa não há muito o que fazer, a não ser tentar dormir ou tentar se manter acordada. Na volta pra casa de uma viagem que fiz sozinha, pude me dar conta de como estar longe de casa nos envolve em tantos sentimentos. Uma viagem nos tira da zona de conforto, desafia nossos limites, testa nossa paciência, expõe fragilidades e a maior parte do tempo rouba a nossa solidão. É como estar numa festa por dias e dias, e no fim, se sentir na obrigação de ter esse espírito festeiro, afinal de contas, é uma viagem. Mas na prática não é bem assim. Os dias foram passando e me vi nesse limbo entre a alegria e a exaustão, já que, não existe uma “chavinha da euforia” onde viramos e click! A vida nos parece uma viagem de ácido (a não ser quando se toma ácido).

Viagens geralmente envolvem pessoas, e de perto pessoas são ‘compléxicas’ com hábitos, humores e prioridades diferentes das suas.

A viagem implica em decisões diárias, que embora não sejam tão relevantes, consomem boa parte do seu tempo e energia, por exemplo: o que comer, onde e como ir, quem estará disponível e afim de me acompanhar no lugar X ou quanto devo gastar. A mente brinca com você “vou chutar o balde” “tô aqui para me divertir” ou “não melhor não, em breve terei que prestar contas pelas frivolidades cedidas”.

Me diz se é ou não é uma oportunidade de crescer?! Fechei os olhos, respirei, inspirei, sorri e lá dentro repeti o mantra “tá tudo bem, logo, logo tudo voltará ao seu lugar de ‘ordem’.”

A verdade é que apesar do desconforto, durante a experiência, tentei me transformar e enxergar as coisas sob outro prisma. Se nós estivermos conscientes e abertos, conseguimos ser atirados pra longe do nosso pequeno reino sem grandes traumas. Acontece que eu não sabia responder se eu estava. Eu tinha uma mala e um cartão de crédito. Isso pode ser uma fonte de angustias, ou um par de asas dependendo do seu momento pessoal.

Uma viagem não precisa necessariamente envolver malas e aviões. Uma viagem pode ser uma mudança de endereço, um novo trabalho, um novo amor, um adeus ou uma viagem para dentro de si, e nessa, estamos sempre sozinhos.

Muitas sensações nos acompanham nessa estrada: desconforto, euforia, medo, deslumbre. Mas no fim, quando todas as emoções pungentes se aquietam, nos trazem um novo ensinamento e uma casca mais dura. Procure saber como a lagosta cresce. É fascinante!

É crescer ou crescer! A zona de conforto é uma pequena morte e nela você vira adubo.
La vida es movimiento (e dói)!

 

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Chrisce Almeida / Coluna Fantástica

A Coluna Fantástica é escrita por Chrisce de Almeida: Carioca, fotógrafa, profissional de marketing e escritora.
Publicou seu livro “Raiva Passageira” em 2011 que teve em 2015 a segunda edição digital pela Amazon. Em breve lançará seu segundo livro “Fantástica Peregrina”.
Defensora dos Direitos Humanos e feminista, nossa poetiza de olhos de oceano é intensa, é frágil, é forte! E isso fica muito evidente em seus textos e poesia.
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