Ilustração de Fernanda Fernandez
Ilustração de Fernanda Fernandez
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Conversei com a Arquiteta e Ilustradora Fernanda Fernandez, @mftfernandez , do Rio de Janeiro sobre feminismo e cotidiano de pessoas com deficiência em um papo muito descontraído porém não menos importante.

Fernanda começou a ilustrar em decorrência de um acidente de carro que a deixou cadeirante e por intermédio de uma médica que virou sua amiga, as ilustrações foram ganhando o coração de mulheres blogueiras e falamos sobre a identificação e o suporte feminino nos seus desenhos. O que sempre foi um lazer na vida de Fernanda passou a ser mais uma possibilidade de trabalho e de expressão que une identificações entre as mulheres.

“Minhas ilustrações começaram a ser procuradas e encomendadas para banners e layouts de blogs. E as mulheres que me seguiam começaram a perguntar quanto custavam os desenhos. Fiquei até sem jeito pois ainda não sabia como monetizar este trabalho.”

Conversamos também sobre as dificuldades de acessibilidade na cidade de Niterói, onde ela mora, e sobre a dificuldade das pessoas quanto ao trato social com uma pessoa com deficiência.

“As mulheres costumam ser mais generosas perguntando sobre como ajudar ou se eu preciso de ajuda. Os homens têm tanta dificuldade de lidar que preferem se omitir.
Na vida afetivo sexual também há questões dos homens com a deficiência. Muitos travam por não saber lidar, não perguntam como lidar e acabam perdendo o interesse, neste momento isso se apresenta como um filtro. E prefiro que seja assim. Coloco fotos em que aparece a cadeira de rodas nas redes sociais e aplicativos e vários nem percebem a cadeira. É impressionante como, muitas vezes, não importa o quanto eu seja tão interessante quanto outras meninas andantes que a cadeira pode sim ser um obstáculo para as pessoas se relacionarem comigo. Eu sou normal e tenho autonomia nas minhas decisões. Mas eles apenas não estão preparados. Grande parte da sociedade não está preparada para as pessoas com deficiência.”

 

Perguntei para ela sobre como foi e ainda é o tratamento médico com a deficiência: “Já fui inúmeras vezes perguntar sobre incômodos e dores específicas e os médicos não souberam me dar um parecer. Sugeriram motivos para as dores mas nem sempre soluções ou tratamentos adequados a uma pessoa com deficiência. Também tenho vontade de praticar esportes e não encontro uma yoga ou outro tipo de prática adaptada a pessoas com deficiência.”

Chegamos a conclusão que homens com deficiência pouco se colocam sobre a questão e também tem mais facilidade quanto a relacionamentos por causa da flexibilidade feminina quanto a estética. Mais um caminho a ser trilhado pela mão de mulheres através da cumplicidade.

A revolução feminista sempre a frente de fatores básicos de socialização e questionando um sistema patriarcal que ao agregar opressões nos distancia sempre das conquistas. Mas para nós mulheres e com deficiência, cada conquista diária é importante e merece comemoração. A autonomia no nosso caso é cada vez mais necessária e com garra vamos conseguindo cotidianamente, como por exemplo ter meios para cozinhar e gerenciar nossa própria vida.

Ilustração de Fernanda Fernandez
Ilustração de Fernanda Fernandez

O apoio da família e dos amigos é sempre muito bem vindo e necessário, porém a autonomia é essencial para nossas vivências. Mesmo diante a adversidades seguimos com um sorriso no rosto ampliando as conversas sobre autonomia e mobilidade e o apoio de nossas mães sempre a tiracolo provando mais uma vez que a forma de interação feminina através do afeto e da comunicação afetiva sempre gera as melhores redes de apoio.
Desse café saiu uma amizade e mais pontos nessa rede de apoio tão necessária. Vamos dar visibilidade à trabalhos de pessoas com deficiência e mostrar que é possível que todas as pessoas sejam potências de si próprias.

Muito obrigada, Fernanda. O mundo é nosso!

 

Ana Carolina Senos - Pessoa com deficiênciaAna Carolina Sênos é Mestranda em Direitos Humanos e Política Públicas pela UFRJ, Graduada em Artes Visuais pela UERJ, militante feminista, bissexual, não monogâmica e pessoa com deficiência que faz do cotidiano na escola pública que leciona artes um ato político diário.

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