deficiência
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Este texto começa convidando ao leitor a reparar no seu espaço e como o indivíduo está inserido nele.

Pare alguns segundos e repare no espaço que você se encontra com atenção, na sua posição e na relação com este espaço.Agora reflita em todos os movimentos que teria que fazer para chegar de um extremo a outro deste espaço.Amplifique, pense sobre a casa, sobre o bairro, sobre a cidade e todos os meios de transporte.

Considerando que você que está lendo é uma pessoa comum, sem deficiência, pode-se notar facilidades e dificuldades para estes movimentos. Pensando em um espaço hipotético – igual, sem diferenciação de classe, um espaço de uma cidade grande, onde haja um trânsito consciente de pessoas neste local, mesmo dentro desta realidade há conflito de interesses e espaços e momentos entre esta gente toda coexistindo. Agora imagine isso tudo pela realidade de uma pessoa com deficiência.

Lugar, através do conceito da geografia, configura um espaço que tenha relação afetiva com o indivíduo pertencente. A topofilia transmite a sensação de um lugar afetivo positivamente, e a topofobia, de um lugar afetivo negativamente. Prioritariamente, qualquer lugar mesmo já conhecido para pessoa com deficiência é topofóbico, pois nenhum local é pensado para pessoas com deficiência e quando existe o mínimo de acessibilidade, essa acessibilidade vem de um conceito generalizado que possa abarcar todas as deficiências possíveis em um mesmo espaço, ao menos que esta própria pessoa tenha condições financeiras para adaptar a própria casa, leia-se um espaço privado, o que atualmente no Brasil sai a valores onerosos, visto que o ideal é que comece o planejamento do zero.

Precisamos pensar os espaços e o espaço que nosso corpo ocupa a cada passo, a cada movimentação. Visto também que comumente as adaptações de acessibilidades são pensadas por pessoas não deficientes, a proximidade que isto reflete às questões nem sempre é a ideal.

Adentrando ideais de cidadania e educação populacional as pessoas não estão preparadas para incluir pessoas com deficiência, não sabem lidar com as suas particularidades e nem com as necessidades coletivas e individuais deste corpo. Carecemos por coragem de confronto diário com os espaço e muita paciência para viver em um mundo que não nos comporta, não nos compreende e não se importa em agregar-nos. Carecemos por escuta e estudo de corpos desviantes, sem idealização de padrões, pois no mundo real eles não existem. Um espaço adequado para pessoas com deficiência com toda certeza seria um espaço facilitado para pessoas comuns onde todes possam coabitar com muito mais harmonia. Atenciosamente os mínimos espaços podem agregar todes e se transformar em lugares, e melhor, em lugares topofílicos, afetivos, onde possamos descansar e produzir mais e melhor, e conviver como seres sociais dentro das mesmas condições, mesmo na diversidade dos corpos e dos imaginários, e os espaços mínimos aumentando para bairros e cidades até que possamos criar um mundo melhor, afável e digno.
Delicadamente,
Ana Carolina Sênos.

 

Ana Carolina Senos - Pessoa com deficiênciaAna Carolina Sênos é Mestranda em Direitos Humanos e Política Públicas pela UFRJ, Graduada em Artes Visuais pela UERJ, militante feminista, bissexual, não monogâmica e pessoa com deficiência que faz do cotidiano na escola pública que leciona artes um ato político diário

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