PEITA
Foto: Patrícia Carvalho.
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Através de vídeos semanais, a marca-protesto divulgará histórias de líderes e militantes e
lança camiseta com parte do lucro revertido ao Movimento Xondaria Jera Rete e Aldeia Kakane Porã.

Como é a luta das mulheres dentro das aldeias? Como é para elas saberem que suas terras
foram invadidas por genocídas europeus que dizimaram 90%* da população original do
Brasil em menos de 100 anos de escravidão e assassinatos? Como é proteger reservas
ambientais, bens da humanidade e não ter seus esforços reconhecidos? Como é ter
pessoas tentando enfiar goela abaixo uma cultura e um sistema que você não quer? Em
outubro e novembro, a PEITA vai trazer histórias de mulheres invisíveis aos olhos coloniais,
mas que tem papéis de liderança e militância dentro de suas comunidades. O primeiro
vídeo é com a caciqua Juliana Kerexu Mirim Mariano, da aldeia Tekoa Takuaty, em
Paranaguá e será divulgado dia 15 de outubro.

E não é só isso, a marca-protesto está lançando a frase ‘Lute como uma garota.’ na versão
guarani, com o parte do lucro revertido para o Movimento Jera Rete, organizado pela Eliane
e Jéssica Gabriel de Castro, da Aldeia Kuaray Haxa (Guaraqueçaba), que leva informações
sobre os direitos de acesso à saúde, demarcação de terras, educação, além de debater
sobre violência contra a mulher em aldeias do Paraná. Também será lançada uma peita
com a escrita em kaingang e seu lucro será destinado a construção do refeitório das
crianças da Aldeia Kakane Porã, localizada na periferia de Curitiba.

PEITA
Foto: Patrícia Carvalho.

A proposta de fazer vídeos para dar visibilidade a causa e ceder o lucro surgiu após a
PEITA ser convidada a participar do primeiro encontro do Movimento Jera Rete em julho
deste ano, na Aldeia Palmeirinha, no município de Chopinzinho. “O movimento foi criado
para ajudar mulheres indígenas que não sabem dos seus direitos e que estão esquecidas
em aldeias distantes. Para nós, é importante levar essas informações para que elas saibam
o que exigir e como se defender de violências, discriminações e machismo”, explica Eliane.

O Movimento Jera Rete já tem o segundo encontro agendado para janeiro de 2020, na
cidade de Laranjeiras, onde duas aldeias irão participar, promovendo ainda a união entre
elas. Segundo a Eline, desta vez serão dois dias de atividades: um para as rodas de
conversa e outro para um jogo amistoso de futebol com o time feminino local.

Sobre a parceria, Eliane diz que foi Nhanderú que cruzou os caminhos. “A luta da PEITA é a
mesma que é nossa. Nós somos indígenas e mulheres e elas são mulheres, a gente luta
pelos mesmos direitos. Juntas temos mais força. A divulgação vai ajudar o nosso
movimento a ser reconhecido”, comenta.

PEITA
Foto: Bruna Kamaroski

No começo de 2019 a presidenta da PEITA, Karina Gallon, fez um curso de política para
mulheres que contemplou pessoas de todo o Brasil. Nele, ela conheceu a Camila dos
Santos e Silva que mora na Aldeia Kakane Porã, considerada a segunda aldeia urbana do
Brasil, termo que Camila já avisa que não gosta pois “aldeia é aldeia”. Lá moram 38
famílias.

No centro do terreno foi construída uma oca que inicialmente seria destinada a atividades
culturais, mas a comunidade sentiu a necessidade de uma escola que ensinasse guarani e
kaingang para crianças e adultos. Como instituição de ensino, o espaço recebe merenda do
Secretaria de Estado da Educação do Paraná, mas por não ter um refeitório com cozinha,
despensa, mesas e cadeiras, recebeu ameaça de corte dos suprimentos.
“Sem a demarcação a gente não tem o básico que a Constituição de 1988 nos garante:
saúde e educação diferenciada para os povos indígenas. Não é porque moramos num
território urbano que não precisamos disso. Essa parceria é muito importante porque vamos conseguir realizar algo fundamental na minha aldeia: construir um espaço para que a merenda não acabe”, ressalta Camila.

As paredes foram levantadas, mas ainda faltam janelas, portas, forro, piso, instalação
elétrica e encanamento de água. Assim que estiverem com a estrutura pronta, a SEED
fornecerá os eletrodomésticos necessários.

A partir do dia 15 de outubro, durante seis sextas-feiras, a PEITA lançará um vídeo por
semana com o relato de mulheres que lutam por suas comunidades. Neste primeiro, quem
fala é a caciqua Juliana Kerexu da Tekoa Takuaty. Também participam Camila Santos e
Silva e Rosane Salete Rodrigues da Kakane Porã, Eliane e Jéssica Gabriel de Castro da
Kuaray Haxa e Myrian Krexu, uma das primeiras médicas indígenas a se formar no Brasil.

A ordem dos vídeos foi definida de acordo com a disponibilidade de cada uma.
“Eu tento imaginar como é alguém entrando na minha casa e dizendo que tudo que tem ali
é amaldiçoado, que a maneira que eu me visto é errada, que meu comportamento será
repreendido e que os valores que eu aprendi e carrego por gerações justificam escravizar e
dizimar minha família. Quando penso nisso vejo a herança colonizadora que eu carrego,
que só matou, roubou e destruiu. Foi o que fizemos com os povos originários do Brasil e eu
entendo que sou parte disso. Dar espaço e visibilidade para a fala das mulheres indígenas é
o mínimo que eu posso fazer como branca. É me colocar no lugar de escuta, de
solidariedade e auxiliadora para que essa reapropriação do espaço aconteça”, comenta
Karina Gallon, idealizadora e presidenta da PEITA.

A captação dos vídeos foi realizada pelo Projeto Origem, composto por fotógrafas e
fotógrafos que buscam mostrar ao mundo as comunidades indígenas do Sul do Brasil.
Assista ao vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=PBNNHJsQWy8&t=4s

Ficha técnica
Direção: Karina Gallon
Produção: Luana Angreves
Co-produção: Bruna Kamaroski e Nathalia Sibuya.
Cinegrafista: Tamiris Tertuliano, Bruna Kamaroski e Luana Angreves.
Edição: Sofia Suplicy
Áudio: Toro Criative Áudio
Apoio: Projeto Origem

 

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Via: Luana Angreves

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