A morte fica serpenteando por ai
Crédito: PXhere / Divulgação
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Nem toda notícia ruim vem com aquela nuvem de energia estranha, um agouro, mau presságio, aquela pulga atrás da orelha que se tem quando o instinto insinua que algo ruim está por vir.
Não, algumas notícias nos pegam de calça curta, são um tapa na cara ou ainda uma facada nas costas: certeira, inesperada e dilacerante. Essa incoerência de vida e morte que não respeita nossos desejos de podermos curtir juntos uma história inteira.
A morte fica serpenteando por aí, sussurrando coisas doidas, tirando a fome, tirando o sono, ou querendo trazer mais gente pro sono eterno. A morte que é só uma passagem de uma embalagem da alma.. Era para ser fácil, lógico e indolor. Mas não é.
A gente fica e fica pensando, fica com um gosto amargo e um buraco estranho no peito, com uma dor que grita a cada pouco, o quanto a gente queria que fossem eternos… mas seguimos mesmo em cacos, pra honrar a história e as lutas de quem amamos.
Como é difícil encarar de frente e esperar que a partida venha mais amiga, mais tranquila, com sossego. Como é difícil encarar que ela chega para todo mundo.
É preciso de fibra e coragem, de um pouco de razão e frieza. E amor, muito amor, amor pra suprir, amor pra ser maior ainda quando a dor passar e enfim ficar só a saudade e a esperança de um dia encontrar todo mundo que deixou sua marca em nossas histórias.
Já ouvi frases que diziam algo assim: “Ah se eu soubesse que ele/ela ia morrer, tinha feito diferente”, queria lembrar à todos que já sofreram uma perda, que nós sempre soubemos que um dia vamos todos partir, então lembremos de viver o agora para aproveitar cada oportunidade com quem nos cerca para podermos ser felizes no caminho.
Se a gente conseguisse ver a morte como uma oportunidade, talvez a gente parasse de brigar por coisas tão pequenas, esperasse menos dos outros e acreditasse mais no nosso potencial. Talvez a gente perdoasse e risse de coisas bobas, comesse a sobremesa antes da janta ou fosse no mercado de pijama… qualquer coisa poderia ser mais leve.
À partir do momento que a gente nasce, começa a viagem veloz ao nosso destino final, então lembremos sempre que quem viaja com pressa, não curte a paisagem…
Amanda Lyra - Crédito_Nick SourientPor  Amanda Lyra – Cantora, compositora, produtora, palestrante, atriz e apresentadora, cadeirante com Atrofia Muscular Espinhal III e uma das idealizadoras do Projeto Solyra.
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