A hipocrisia nossa de cada dia - Coluna Fantástica
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Desde criança eu sou uma apaixonada pelos animais, por todos eles, não só pelos animais domésticos. Desde criança eu também como carne, seja por hábito, por cultura, porque ninguém da minha família nunca se questionou, pela praticidade e diversidade de pratos, pela vida social, porque “Deus colocou os animais no mundo para nos servirem”, porque é a ordem natural das coisas, porque é uma delícia e porque SIM!

Cada um tem seus motivos e eu tenho os meus motivos. Já comi e continuo comendo. O máximo que consegui foi ficar sem comer carne (de mamíferos) apenas um mês. Depois desse mês voltei ao velho hábito e as desculpas são infinitas! “Porque esqueci que havia parado de comer carne e pedi um prato no restaurante com carne, putz!” “Porque estava viajando e foi mais prático e barato.”, “Porque fulaninho cozinhou pra mim com tanto carinho e acabei comendo pra não causar mau estar…”
Eu passei um mês inteiro me sentindo bem disposta, sem desconforto estomacal e orgulhosa de mim por ter iniciado os primeiros passos em direção a uma atitude que conversava diretamente com meus valores.

Além da causa animal, o agronegócio causa desmatamento, depredação do solo e o desperdício de água num planeta onde esse recurso é escasso e vital.

Quando acontece alguma grande tragédia envolvendo animais e sua vulnerabilidade, a repercussão gera uma corrente bonita de solidariedade e conscientização, porém ainda estamos muito longe de tratá-los com o respeito e a dignidade que merecem por nos oferecerem tantas coisas maravilhosas.

Cachorro, gato, passarinho, galinha, jacaré, porco, boi, peixe… Pra mim é tudo igual. E constatando isso, me percebi uma hipócrita por estar tão indignada com a morte do cachorrinho em questão e ao mesmo tempo me planto em longas filas de supermercado para comprar carne de tantos animais que já nasceram produtos e que até o dia do abate são submetidos a uma vida de merda para enriquecer o bolso de muita gente e servir ao nosso paladar.

Irracionais somos nós, que no mundo moderno que conta com uma variedade imensa de alimentos disponível, escolhemos nos alimentar do sofrimento alheio. Quanto egoísmo! Quanta falta de humanidade. Temos muito a aprender com os animais…

Nós, humanos, passamos por cima de absolutamente TUDO com a ousadia e a covardia de uma espécie que escraviza, matam e destrói em nome da “evolução” e do prazer pessoal.
Me envergonho por ainda não ter desconstruído esse hábito e estar condicionada a esse padrão. Nos meus planos de curto prazo está a vontade de parar de consumir carne. Está nos meus planos, na minha consciência e acima de tudo no coração. Quero atender ao chamado de não ter mais a minha alma manchada de sangue contra quem não pode se defender.

Fica a reflexão.

 

A Coluna Fantástica é escrita por Chrisce de Almeida: Carioca, fotógrafa, profissional de marketing e escritora.
Publicou seu livro “Raiva Passageira” em 2011 que teve em 2015 a segunda edição digital pela Amazon. Em breve lançará seu segundo livro “Fantástica Peregrina”.
Defensora dos Direitos Humanos e feminista, nossa poetiza de olhos de oceano é intensa, é frágil, é forte! E isso fica muito evidente em seus textos e poesia.
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